weber
21-06-05, 09:50
<b>Experiência por:</b> weber
<b>Enteógeno:</b> Trombeta
<b>Quantidade:</b> 700ml
<b>Peso do usuário:</b> 70kg
<b>Duração da experiência:</b> 14Hr
<fieldset class="fieldset"><legend><font size="3"><b>Viagem</b></font></legend><font size="2">Gostaria de me desculpar pelo tamanho do texto, é que realmente acho que muita gente, que tem curiosidade para saber mais sobre os efeitos da trombeta, seria interessante dar uma olhada.
Estou me sentindo confuso, já deveria ter me acostumado, mais estou cada vez mais fraco, quase que desistindo, um dia destes acho que vou acabar enlouquecendo, tenho vários caminhos porém não consigo escolhê-los, não me desespero pois sei que é passageiro, na verdade somos apenas passageiros desta vida que nos faz oscilar como o mar, as vezes mais calmo as vezes mais agitado, por isso nunca me interessei em surfar, acho que já basta as grandes vacas que tomamos na vida já é bem cansativo, estes dias um amigo me falou que todas as pessoas estão cheias de problemas ao contrario de mim elas apenas não demonstram, minha cabeça agora esta como que dentro de um tornado, tenho vontade apenas de ir para uma cabana no meio do nada e ficar quietinho até tudo passar, já não consigo mais confiar em ninguém, pra falar a verdade estou em uma semana como posso dizer, “semana paranóia”, também acho que devo ter exagerado estes últimos dias e vai levar algum tempo ate toda toxina sair do meu corpo, enquanto isto, tenho que aguardar paciente, sem querer acabei tendo talvez uma das maiores viagens delirantes comparado com minhas ultimas aventuras, ainda bem que já não me assusto mais, e sim por pior que seja a situação, acabo sempre calmo e maravilhado com o outro “lado”.
Tudo começa em um sábado qualquer, onde havia marcado uma viagem para Lapa, já fui duas vezes para esta cidade encantadora, e confesso que não sei qual foi a vez que mais enlouqueci, um lugar muito calmo com uma cultura bem de cidadezinha, pacata com muitas fazendas, morros, um lugar com visual perfeito para uma viagem de cogumelos, precisava pensar um pouco e acabei entrando em um acordo com minha namorada para ir sozinho, parecia que ate já pressentia que ia ser mais uma daquelas viagens, por isso resolvi chamar alguém que agüentaria o baque da viagem, escolhi um amigo que nos entendemos como irmãos conheço-o a muito tempo e começamos todas nossas loucuradas juntos, quando um fica muito ruim o outro cuida e visse e versa, sempre foi assim e todas as nossas viagens sempre foram melhor que o esperado, bom minha namorada acabou indo para Paranaguá em uma festa de aniversario com meus pais, na verdade era mais uma social de família, que posso dizer que não agüento mais este tipo de coisa. Bom assim que eles saíram fumamos um doce, tomamos um pouco de vinho, fumamos outro doce, e assim se seguiu a tarde, quando estava quase escurecendo resolvi começar a fazer a minha “poção dos pesadelos” a planta que utilizei para tal poção foi as flores de trombeta , como já estava em alfa acabei adoçando demais, mais isto não seria motivo de jogar tudo fora é lógico, depois que esfriou coloquei em uma garrafa de refrigerante de dois litros e não sei porque deve ter enchido apenas quatro dedos da garrafa, como sempre já comecei a reclamar, putz, deu muito pouco acho que não vai dar aquele toque, nosso carona chegou e eu estava completamente perdido a esta altura, todo atrapalhado, e com muito sono (já havia dividido um copo cheio com alguns camaradas que estavam na frente de minha casa). Chegamos no ponto de encontro e já tinha uma galera esperando, o pessoal da banda já estava todo la, pegamos a estrada e durante toda viagem dava aquelas fisgadas com a cabeça como se estivesse pesando uma tonelada encima do meu pescoço, cheguei a pensar que seria mais uma noite frustrada com a cara fechada dando bocejos a noite inteira, sem conseguir tomar nem mesmo um porre, nem imaginava que seria uma noite cheia de surpresas.
Chegamos no bar onde seria o desfecho de mais uma noite Bluseira, com uma banda que posso falar sou completamente fã, já os vejo tocar a muitos anos e mesmo não tendo musica própria consegue deixar qualquer um de boca aberta, como chegamos sedo, todos começaram a ajudar na preparação do bar, colocando banners nas portas e arrumando o seu interior, eu me sentei com meu camarada na varanda e começamos a degustar aquele delicioso chá melado que havia feito, não tomamos muito creio que foi um copo e meio pra cada, entramos e um estado de transe impressionante o sono começou a tomar conta de mim por completo, peguei uma lata de cerveja pra ver se amenizava aquele incomodo da garganta e fui me sentar, a esta altura já não falava mais nada e quando tentavam conversar comigo simplesmente virava e saia para um outro lado do bar como que estivesse sentindo o veneno começando a me dominar, peguei meu camarada e saímos fumar mais um, e aproveitar para dar uma olhada no local, fumamos em silencio sem nenhuma palavra sequer, e retornamos para o bar, meu camarada teve a brilhante idéia de começarmos armar as barracas, tiramos tudo do carro colocamos na frente do bar e saiu cada um para seu lado, uma vez me disseram que alguém só é louco quando sua loucura se torna real, pois bem, o perigo do veneno das plantas é que a realidade se mescla com um profundo sonho lúcido, você nunca sabe o que realmente esta acontecendo ou se tudo não passa de um simples sonho, como de costume não me lembro das primeiras 2 horas de estado paranóico, mais o que vou relatar segue – se a partir das lembranças que se revelaram nos dias subseqüentes.
Nunca assisti Cristiane F, mais como minha namorada me fala e muito, tentem ter uma idéia do filme, onde as imagens foram gravadas em um contexto muito escuro.
Bom, lembro de ver varias luzes amarelas na entrada da mata justamente em uma trilha, varias luzes no tamanho de uma moeda de um real, ficavam brilhando, brilhando, como que se me chamassem para dentro da trilha, comecei a segui-las, e quando percebi entrei em uma clareira onde havia muitas pessoas e algumas barracas armadas, nesta clareira tinham varias outras trilhas, e todas elas tinham pessoas andando nelas, não conseguia ver o rosto de ninguém, apenas via o contorno das sombras, me lembro das pessoas passarem por mim, e me desviava o tempo todo pedindo licença, e me desculpando, todos andavam de maneira estranha como que um estado zumbi, lentos com os braços e ombros caídos para baixo, em um momento cheguei a tropeçar e cai de joelhos no chão, foi ai que senti que tinha alguma coisa errada, os meus joelhos ficaram todos encharcados, pensei como pode ter um acampamento no meio da água, mais não me importei, tive a brilhante idéia que estaria ali, pois seria o lugar onde resolvemos acampar, e por estar delirando havia me perdido da minha barraca e do meu camarada, bom com essa brilhante idéia se tornou um objetivo procurar minha barraca, cheguei a pensar em me comunicar com alguém, mais falaria o que, “alguém viu minha barraca?” Ou alguém viu um cara falando sozinho por ai (meu camarada que nesta altura, imaginava que poderia estar pior do que eu), o problema é que sempre tinha dois caminhos a seguir, as vezes tinha a impressão de estar andando em círculos e acabava passando pelo mesmo local, uma hora não sei como explicar, cai de lado na mata e devo ter desmaiado por um instante, devo ter sonhado por algum tempo pois do nada já não estava no mato, a loucura me levou para outro lugar, me vi pegando um ônibus na estrada destes brancos, tipo metropolitanos, lembro que o cobrador me olhava meio estranho, serio, meu corpo estava muito embriagado, tive que segurar nos ferros do ônibus para não cair, dentro tinham varias pessoas e todas me olhavam, e a cada freada do ônibus, caia encima das pessoas que me olhavam com cara feia, andei um tempo neste ônibus ate que um certo ponto o ônibus bruscamente freou, me atirando para frente fazendo com que caísse de joelhos no chão, do nada quando vi estava novamente no mato deitado de lado na trilha com uma dor imensa nos joelhos, percebi que tinha caiado encima de um tronco de uma pedra, não me lembro direito, só sei que acabei esfolando meus dois joelhos e rasgando minhas calças, confesso que demorou muito ate pararem de doer, enquanto isto, fiquei deitado no chão e as pessoas ficaram ali paradas me olhando esperando que sai-se do caminho para poderem passar, e falei bravo, será que ninguém pode me ajudar? e alguém me estendeu a mão !? me segurando firme e me levantou, agradeci e sai novamente sem direção. Mais adiante entrei em uma trilha bem longa e no final dela vi novamente aquelas luzes que me levaram a este labirinto dentro de minha mente, andei ate chegar onde os pontos brilhavam e eles novamente sumiram, a mata já não parecia tão assustadora e o negro já começara a tomar um azul marinho, dei um suspiro de alivio pois o sol já estava por vir, o lugar não conseguia me assustar, mais também não me deixava muito tranqüilo, o único som que conseguia ouvir, era o estridente cantar dos grilos e outros insetos, que habitavam aquele lugar tão mórbido, andando mais a frente vi um caminho que subia um barranco, pensei que já estava no final desta aventura e que finalmente já era hora de “retornar”, mais acabou por se tornar algo um tanto difícil, haviam pessoas paradas como numa fila indiana, obstruindo o caminho, fiquei ali parado pensando em uma maneira de passar por elas, mais algo em mim não suportava a idéia de ter que encostar nestas pessoas, fiquei um tempo parado, quando algo que nunca vou esquecer aconteceu, um cara se levantou atrás de mim saindo de dentro do mato e ficou parado quase que encostado em mim, não fiquei com medo, mais sim paralisado com a situação, olhei para seu rosto e não sei se, por estar em um estado de confusão, posso dizer que não me assustei, mais também não fiquei muito tranqüilo com o que vi, esse cara que acabara de se levantar atrás de mim, como posso descrever, tinha o cabelo bem comprido e todo emaranhado, com o rosto bem magro como que de um viciado, com os ossos do rosto bem salientes, e o que mais me chamou a atenção foram seus olhos, os olhos bem brancos e brilhantes com as pupilas completamente dilatadas, com a aparência destes zumbis que vemos em filmes, sem expressão no rosto, ficou ali me olhando muito próximo quase que me encostando, acho que se tivesse em um estado mais profundo de intoxicação, creio que poderia sentir sua respiração, naquele instante, fiquei ate surpreendido comigo mesmo, pela primeira vez não conseguia pensar em absolutamente em nada, fiquei ali no vácuo, enquanto observava este sujeito, senti que alguém se levantou novamente do meu lado esquerdo, o impressionante é que como pode a cabeça da gente fazer este tipo de situação, pois mesmo sendo apenas imaginação conseguia sentir a presença destas pessoas, me virei e quando olhei desta vez era uma mulher com cabelo também todo embaraçado, com a pele bem branca, o rosto magro e os olhos de zumbi, me senti como que cercado e comecei nesta hora a ficar com calas frios. Sem pensar, em um estalo pulei saindo da trilha em direção ao matagal indo para o barranco, com a mata muito fechada e alta, tive uma certa dificuldade de sair desta situação e começou a ficar cada vez pior porque a cada passo que dava sentia que meus pés afundavam cada vez mais, tive um pressentimento horrível de que acabaria caindo dentro de algum buraco cheio de água, parei e tive a idéia de começar a empurrar o mato para frente fazendo um tipo de ponte para poder passar por cima daquela água escura, tinha que passar rápido pois o mato ia abaixando lentamente por isso não podia ficar parado no mesmo lugar por muito tempo, devo ter andado uns 50 metros quando parei por um instante para puxar mais um punhado de mato, quando vi a coisa que mais me assustou, digo que me assustei pois talvez alguma força que me protege me deu alguns instantes de raciocínio para analisar que aquela situação poderia ser de fato real. Quando comecei a agarrar e empurrar para frente o mato, vi e muito perto, coisa de uns dois palmos da minha cabeça, uma cobra toda amarela, dava pra ver a sua cabeça e mais ou menos um palmo de seu corpo, atenta, com olhar fixo para mim, colocava a língua pra fora a balançando para cima e para baixo e a recolhia, ficava ali imóvel esperando um simples movimento hostil que tivesse para me dar o bote, eu não dava uma única piscada para não dar em merda, e pra ajudar, o meu peso, estava começando a abaixar lentamente o mato, e fui descendo em câmara lenta, ficando com o corpo cada vez mais inclinado, todo torto, me segurando no mato pra não cair, e ela só me olhava, conforme meu corpo ia descendo sua cabeça ia acompanhando meu corpo, como que mirasse um olhar dentro do pequeno universo escuro, sem vida, negro e solitário, que minhas imensas pupilas dilatadas representavam para ela naquele instante, como se me delatassem, dizendo o quanto estava imerso naquele profundo sonho delirante, meus pés novamente tocaram o chão mergulhando eles novamente naquele pântano ardiloso, olhei para baixo e vi um pedaço de madeira podre, aquilo seriam minhas únicas opções, enfrentá-la ou esperar que me ataca-se, quando ergui minha cabeça pronto pra acertá-la ouvi um barulho no mato e não há vi mais, a partir daí, vi que deveria a todo custo sair daquele lugar, fui andando com todo o resto de força que tinha para me agarrar no barranco, com muito sacrifício fui me agarrando no mato e consegui me jogar na grama, quando consegui, fiquei ali deitado, de barriga pra baixo, com metade do meu corpo na grama e a outra metade dentro do barranco. Fiquei ali durante muito tempo, como que aliviado, sentia um grande alivio de tudo ter acabado e ao mesmo tempo muito feliz por ter tido esta experiência. Agora só me restava achar o bar, e não demorou muito pra identificá-lo, pois dava para vê-lo de longe, é um bar inteiro vermelho sangue, me levantei e segui em sua direção, quando cheguei estava fechado lógico, mais olhei pela janela e via muita gente conhecida, como se estivessem limpando o bar, bati na janela com um sorriso no rosto pois já me sentia em casa, só queria tomar um copo de café, fumar um cigarro e descansar um pouco, mas minhas batidas foram em vão, ninguém me olhava, chamei, gritei dei a volta e fui ate a porta, dei algumas batidas e apareceu o garçom que haviam me apresentado no outro dia, fiquei ali, esperando que abrisse a porta para poder entrar, e ele ali imóvel, me olhando, mexi no trinco da porta e ele nada, ate que se virou e sumiu pra dentro do bar, pensei não é possível que ainda esta viagem não acabou, dei um suspiro olhei para o começo da escada e vi varias bitucas de cigarro, apanhei algumas que estavam pela metade e me sentei na frente do bar, agora só faltava acendê-los, mais e fogo, procurei em todos os bolsos e nada, não conseguia acreditar, era só que me faltava, com fome, sono, molhado e sem fogo, bastaria uma única tragada para sentir a nicotina correr pelas minhas veias e me deixar um pouco tranqüilo, mais nada, nem mesmo um único palito, quando estava quase que convencido que passaria toda a manha sozinho ate alguém chegar, escuto um acelerar de carro e posso dizer que não acreditei no que estaria por acontecer, simplesmente com um sorriso louco e conformisado, apenas me levantei, erguendo minhas mãos, me sentindo um tanto intimidado por pistolas de marginais uniformizados, acreditem vocês, que depois de tudo ainda fui abordado por uma viatura a plena 7:00 horas da manhã, e indo de encontro com a parede, o que me deixou mais indiguinado foi que, ao colocar minhas mãos na parede, senti que segurava algo, e acreditem, era o infeliz do isqueiro, levei algumas bicudas mais ate ai nada me incomodava, e sim o fato de ter umas 15g de fumo escondido dentro da cueca, Vamos, vamos logo, entre na viatura – disse o PM com as algemas já na sua mão, por mais louco que estive-se tive uma resposta quase que instantânea de dizer – Veja bem, estou indo só para não criar caso, pois vocês não encontraram nenhum tipo de tóxico e nem me pegaram em flagrante fazendo nada de errado, imediatamente ele foi guardando as algemas e me dizendo com um ar autoritário, que ninguém estava me prendendo, mais sim me levando para uma “averiguação” (filho da ##$¨%¨&¨&%¨#@!@), bom, não me algemaram mais em compensação tive que ir na gaiola atrás da viatura, quando a viatura começou a andar entrei na paranóia que acabariam me revistando melhor e achando o Beck, rapidamente peguei a bucha e por pouco não faço a cagada de jogar no banco detrás da viatura por um espaço entre a grade que dividia o porta mala, por sorte não o fiz, e graças a deus, não me revistarão dentro da delegacia.
Quando cheguei, já na entrada havia um cara bem barrigudo que parecia estar me esperando, e já foi dizendo, é ele? Não entendi o porque, apenas me disseram que haviam ligado para delegacia, dando as minhas descrições dizendo que tinha na madrugada roubado um veiculo, hã...se soubessem que não sei a diferença do acelerador para o freio, começaram então a me perguntar varias coisas, como nome dos pais, o que fazia, porque estava ali sem documentos, e depois de ter respondido tudo acabei por dar meu RG, que por sorte sei de cabeça alegando que poderiam comprovar que não estava com pendências com a lei – Tudo bem disse o cara barrigudo, mais você ira aguardar dentro da cela, na hora não me importei tanto, acreditando que tudo acabaria por esclarecido, mais quando tomamos o corredor em direção da cela, as alucinações voltaram, via pessoas apressadas passarem por nós e sumirem na frente do gordo, quando já estávamos no final do corredor, vi a cela que imaginava que iria ficar, tinham vários presos, cada um deles pior que o outro, com cara de marginais e tudo mais, quando perceberão minha presença já foram logo se levantando e indo em direção da grade como que pensassem –Hum, carne fresca! Novamente sorri e abaixei a cabeça me lamentando, pensando como ficaria dentro de uma cela, com marginais, e eu completamente surtado, foi quando paramos e o delegado abriu uma porta de aço ao lado da cela, me empurrando para dentro, quando entrei me senti muito aliviado e seguro, estava no local onde os presos tomavam sol, e apenas havia um senhor sentado no canto fumando um cigarro, mesmo estando dentro de uma situação na qual não fazia a menor idéia de como sair, me sentia seguro e só pensava em me acalmar, foi quando resolvi pedir um cigarro para o senhor – O senhor teria um cigarro pra me arranjar? E nada simplesmente continuou ali imóvel fumando, achei melhor não insistir, mais fiquei ali com água na boca de ver aquele velho inútil dando profundas tragadas em seu cigarro, como que em transe, ate que uma linda mulher acabou por me roubar a atenção, parada na porta me olhando, e perguntei – você veio me trazer o cigarro? E quando tornei a olhar para o velho já não estava mais la, e quando tornei a olhar para mulher também não tinha ninguém na porta, consegui colocar de uma vez por todas que realmente estava delirando, devo ter cobrado a lucidez por uma hora mais ou menos sem ver ninguém e sem escutar nada, pensei que finalmente estava pronto para chamar o PM e resolver toda aquela situação, foi quando me dirigi para uma janela com grades que fazia divisão com uma sala cheia de computadores (acho que é onde ficam observando os presos) vejo minha mãe, me olhando com a cara, “você não tem jeito mesmo”, não parecia brava por isso não me lamentei e a única coisa que falei foi – pelo amor de Deus, eu só preciso de um cigarro e um copo de café, e la se foi pelo corredor atrás do meu cigarro, fiquei ali um tempo com a cabeça encostada na grade, e vi creio eu, o filho de um dos PMs, sentado em uma cadeira como que curioso, ficava me observando com um ar de mistério, me senti como um animal no zoológico, só faltava ele me jogar pipoca, fiquei olhando pra ele e o coitado tentava virar sua cabeça como que disfarçando mais seu olhar não conseguia se desviar do meu, ficou com uma cara de assustado, senti o medo que sentiu quando o encarei, mal sabia ele que aquele maltrapilho sujo e todo rasgado que falou durante a manha inteira sozinho com cara de louco, na verdade era a pessoa mais decente daquele lugar, que não tem coragem de matar uma formiga e que chega a ser meio ridículo por gostar tanto de flores, em um pulo saiu dali como que extremamente assustado, pois deveria incomodar e muito o animal que observara a manhã inteira, agora sabia de sua existência e também o observava. Deve ter saído com uma cara tão estranha que imediatamente um PM veio com cara feia para ver o que deveria estar aprontando, como sou um completo idiota ao invés de ter me concentrado e aproveitado a situação para dizer algo coerente já fui logo perguntando – cadê minha mãe com meu cigarro? – Cara o melhor que você faz é ir dormir, disse ele. – Que dormir o que, tenho é que sair logo daqui, respondi. E la se foi ele como que se não estivesse nem ai, por um segundo comecei a imaginar a possibilidade de me esquecerem ali durante todo o dia, e acabar chegando o anoitecer me jogando junto com os outros presos.
Fiquei ali agachado, naquele chão imundo já sentia que estava começando a perder a graça, tudo aquilo
hora via pessoas na sela, hora ouvia a voz da minha mãe, mais não caia mais neste jogo e só ficava ali observando, pois sabia que a única maneira de sair de tudo aquilo era tendo calma e não me deixando levar por essas armadilhas criadas por minha mente, já tinha percebido que me observavam, e provavelmente não seria trocando idéias com as paredes que iriam me deixar sair dali, durante todo tempo tive visões tranqüilas as vezes visões terríveis, como o de uma menina que devia ter uns quatro anos de idade que se encontrava deitada em cima do lixo no fundo da cela completamente sem vida, com os olhos abertos, seu rosto tocava aquela água suja do chão e seu olhar parecia estar fixado em uma bituca de cigarro um pouco a sua frente, sua cabeça era desproporcional ao corpo como aquelas crianças que vemos em documentários sobre a Etiópia, muito pálida com os olhos fundos e muito roxo, muito magra, aquilo acabou com meu dia, senti um imenso aperto no coração, um frio na barriga, aquilo me deixou tão chocado que quase chorei, por pouco não me levanto e vou pegá-la no colo, para pelo menos tirá-la do chão, confesso que aquilo que acabara de ver deve ter me chocado tanto que foi minha ultima alucinação me levantei e o cara barrigudo veio ate a janela, e me disse:
- Você tem certeza de que nunca teve passagem pela policia?
- Sim, disso eu tenho certeza.
E saiu indo de encontro com a imensa porta de aço que me separava da liberdade.
- Vem. Falando com uma cara de que daria de tudo para me esfolar vivo, saí, e quando passei pela porta, bateu ela com toda força que quase grudei no teto.
- Me acompanhe........va para o outro lado do balcão.........tem certeza que você nunca pegou um 16 ( artigo no qual se é enquadrado por estar portando entorpecente)
- Hããããã...... a algum tempo atraz fui detido no litoral com três Becks, mais me falaram que não seria fichado, mais sim deveria só pagar um pequeno “valor simbólico” como penalidade. Como se ele acreditasse, como se não recebeu o processo pelo computador dizendo que havia sido preso com apenas 25g de verde, e por pouco não caio com um 12 ( trafico ).
Com uma cara completamente de animal, começou a jogar tudo que tinham tirado dos meus bolsos, me surpreendi quando vi que tinha 30 reais, algumas moedas, leda para enrolar uns baseados, e minha consumação, que acabei por dar mais uma bola fora – como dez reais se só pedi duas latas de cerveja, acreditem não falei por mal, apenas saiu, deve ter imaginado que eu estava me divertindo com tudo aquilo, para antes mesmo de ter sido libertado ainda fazer gracinhas, acho que deve ter sido por isso que me pegou dez reais alegando que era pra pagar o combustível gasto para irem me buscar, e simplesmente com uma expressão de toda raiva do mundo:
- escute bem o que vou te falar, suma da minha frente, e pegue o primeiro ônibus do buraco que você saiu.
- mais preciso achar o bar, minhas coisas estão todas la
- se te ver andando pela rua mais uma vez, te juro por Deus que faço com que você nunca mais saia de dentro de uma cela.
Eu peguei minhas coisas me virei e ergui os ombros como se não estivesse nem ai, desta vez acho que o tirei do serio, pois escutei os passos apressados atrás de mim como se viesse me dar uma coronhada, apenas aprecei meus passos em direção aquela passagem que me levaria ao lugar mais incrível e maravilho que naquele momento representava para mim, a rua, o sol, as flores, ao cheiro de mato, as crianças brincado nas ruas como se o mundo fosse o lugar mais incrível e mágico que se pudesse imaginar, onde maldade não faria parte dos pensamentos delas, todas despreocupadas brincando na rua com suas bicicletas e bonecas em pleno domingo de manha com um sol, que posso dizer, que alguns poucos segundos, faria muitos daqueles que deixava para traz, naquele lugar sombrio, sorrirem simplesmente por poderem ver tudo o que estava vendo, livres sem dever nada a ninguém, por um instante fiquei parado na calçada pensando nessas pessoas que ficam presas por anos, sem me preocupar com o motivo de estarem presas, pensei qual seria a reação de passar pela porta da frente depois de tanto tempo trancados em um lugar sujo e com mau cheiro, apenas uma manha que haviam me roubado a liberdade, já sentia uma imensa vontade de rolar na grama, mais me controlei, imaginem a sena todo faceiro deitado na grama e os PMs me agarrando de novo, falando acho que você precisa passar mais tempo em observação.
Bom já estava solto mais o que fazer? Não conhecia ninguém, nem mesmo sabia onde estava, não sabia como achar o bar, a única coisa que me veio na cabeça foi encontrar a rodoviária e partir daquele lugar. Andei por umas quatro quadras, e acabei por sair em uma praça, não ligava mais se as pessoas ficassem me olhando meu objetivo era apenas pegar meu ônibus. Parei em um táxi e perguntei como poderia chegar na rodoviária, e finalmente depois de tantas coisas ruins tive a sorte de encontrar um senhor muito gentil que já foi logo falando.
- Entra ai que te dou uma carona. Não me olhou estranho e nem me questionou se tinha dinheiro, apenas entrei e hoje penso que deveria ter sido mais cordial com ele, apenas entrei e durante todo o caminho não lhe direcionei nem um único comentário, rodamos durante um tempo, ate que finalmente chegamos na rodoviária, quando percebi o marcador de preço estava desligado, e ele me perguntou se tinha apenas 5 reais para tomar um café, dei um sorriso de agradecido, e lhe dei uns 7 reais mais ou menos, não sei bem ao certo me lembro de ter dado uma nota de 5 e umas moedas.
Pronto cheguei, fui direto na balconista e perguntei que horário sairia o próximo ônibus. – agora só as 23:00 – me respondeu – só as 23:00! Que tipo de lugar é este e bla, bla, bla.....sai resmungando louco da vida, como poderia ficar tanto tempo naquele lugar, resolvi comprar um cartão e tentar ligar para alguém que tivesse o telefone de alguém para que um alguém fosse me buscar, resolvi então ligar para minha namorada em Curitiba pois com certeza teria o telefone da minha irmã que também estava na Lapa. Foi quando um pensamento horrível me tomou conta, como se minha cabeça tivesse levantado o questionamento do porque teria saído do bar e ido para o mato, e acreditem, tive uma lembrança muito real, como uma memória muito fresca de algo que não me lembrara, neste pensamento via minha namorada e alguns amigos de onde moro no bar, estarem todos reunidos, ela estava sentada na mesa e todos estavam de pé em volta bebendo como se despreocupados com a vida, e eu sentado encostado na parede, como se a observa – se, foi então que um deles se sentou bem do lado dela, e os dois ficaram me olhando com um ar de despreocupados, mais aquela situação me incomodava e muito quando dei por mim, olhei por debaixo da mesa e a via ela acariciando sua virilha, confesso que senti uma dor como se alguém naquele instante estivesse me dado uma punhalada pelas costas, uma dor de cabeça imediatamente tomou conta de mim, que quase veio acompanhada de uma vontade de chorar. Fiquei ali nem sei quanto tempo sentado sozinho no banco da rodoviária, com o cartão de telefone na mão simplesmente sem pensar me nada, estava com uma carteira de cigarros do meu lado já aberta mais não tinha vontade de fumar um único cigarro mesmo este tenha sido um dos maiores problemas de todo o dia.
Sinceramente não sei como o amor pode ser as vezes tão doloroso, acho que nunca tinha sentido uma dor tão forte quanto desta vez, pois bem resolvi dar uma volta para ver se achava algo para me distrair, quando finalmente minha consciência se tornou novamente lúcida, aponto de perceber que minha namorada estava em Paranaguá com meus pais, e nenhum desses conhecidos haviam viajado com a gente, dei um suspiro de alivio e apenas agradeci por aquilo ter sido apenas mais uma “paranóia”, que confesso que é uma palavra muito forte pra mim, me amarro nela. Liguei para ela, e sua mãe atendeu, dizendo que ela deveria ter saído de casa bem sedo pois não tinha percebido sua presença por toda manhã, - Hum, que horas deve ser, uma hora? Perguntou ela. – Capaz, deve ser umas quatro da tarde, respondi – eu aviso que você ligou. Putz, onde esta danada deve estar, e agora para quem vou ligar, liguei varias vezes para minha casa e nada minha mãe também não atendia pensei que não deveriam ter voltado de sua viagem, haviam me dito que retornariam ainda de madrugada, ate que depois da vigésima vez de tentativa ela atendeu, perguntei o telefone da minha irmã alegando que tinha saído para dar uma volta e teria me perdido, e como de costume já começou a gritar dizendo que tinha ido para cuidar dela e não ficar dando voltinhas, acabou por me dar o telefone de uma amiga que estava junto, que tratei de ligar imediatamente.
- Alo quem fala?
- guria alguém me tire daqui pelo amor de Deus
- onde você ta maluco?
- Acho que é a rodoviária
- Não va sair daí, já estamos chegando
Não chegou a dar dez minutos, e la vejo eles se cagando de dar risada da minha aparência, parecendo um mendigo perdido na rodoviária, saímos dali direto para casa da irmã de meu amigo e ela já estava com o almoço quase pronto, comi muito mais muito mesmo que acho que minha irmã ficou ate com vergonha.
Meu amigo se levantou e já foi logo puxando a gente dizendo que queria nos mostrar algo incrível, andamos, andamos e andamos, como não queria estragar o passeio de ninguém mesmo com as pernas doendo fiquei calado sem reclamar, foi então que chegamos no começo de um morro ( Morro dos Monges), começamos a subir e subir e uma hora parei pois tinha que admirar aquele visual, dava para ver a Lapa inteira, as florestas de pinheiros de muito longe e ate mesmo o oceano, lugar incrível que ate me esqueci do cansaço, chegamos a um ponto em que já estávamos em um lugar bem plano, começamos a passar por entre umas arvores coníferas; Pinus para ser bem exato, e mesmo depois de tudo lembrei que era perto destas imensas arvores que nasce os incríveis Amanitas, dito e feito depois de ter tido esta lembrança deixei-os indo na frente e fiquei parado só observando em minha volta, eles pararam mais adiante e ficavam, - Vamos logo, o que é que você ta pirando agora, e interrompi suas lamentações com um grito, - Achei! A mais ou menos uns cinqüenta metros dali, vi por cima de uma das raízes um imenso chapéu vermelho, reluzindo seu esplendor, como se estivesse ali só pra mim, sai em disparada e quando cheguei fiquei de poça aberta, via dezenas deles espalhados por todos os lados, grandes pequenos, uns ainda na formação de seu chapéu, outros com eles virados para cima como que orgulhosos por conterem sua lendária toxina, apanhamos alguns, bem na verdade enchi uma sacolona, deixando os menores ainda por abrirem seus chapeis da dar continuidade ao seu ciclo.
Andamos mais um monte, entrando em grutas e lugares incríveis ate que retornamos para a estrada, iríamos pegar uma carona com o dono do bar, iríamos encontra-lo no bar mesmo e já era umas 18:00, estava completamente esgotado e dei graças a Deus quando entramos no carro, a única coisa que passava pela minha cabeça era o fato de ter tudo acabado bem e o fato de chegar em casa, tomar um banho, colocar roupas limpas e “inteiras” era algo simplesmente mais maravilhoso do mundo, sem dizer o fato da minha sacola cheia de Amanitas. Ainda posso dizer que tive quase chegando em Curitiba mais uma alucinação, vi duas meninas andando de bicicleta bem mais a frente no acostamento da BR e de repente se atravessaram na frente do carro foi o suficiente para me agarrar no banco do motorista e assustando todo mundo.
Bom cheguei em casa minha namorada já estava dormindo na minha casa e ficou simplesmente maravilhada com o presente que havia lhe trazido da Lapa (os Amanitas) que na semana que se seguiu providenciei para dar uma boa utilidade neles, mais essa é outra historia, gostaria de deixar bem claro que tudo que comentei não foi nem um terço do que realmente aconteceu e esta foi mais uma aventura de muitas outras que já tive, e posso dizer para aqueles que não conhecem estas flores, que a respeitem muito pois não é como um baseado nem uma carreira e nem nada a essas outras drogas que encontramos por ai, mesmo sendo fascinado por esta planta trombeteira, e sempre quando posso faço um chá, mais velhos não aconselho ninguém a tomar, pois além de ser uma viagem completamente perigosa pela falta de noção sobre a realidade, a toxina fica durante um tempo no corpo, que as vezes acabam por se tornar paranóia e outras apenas um desligamento do cotidiano podendo prejudir em alguns fatores como trabalho, família e relacionamento, tem ate um amigo nosso que antes tomava com a gente e ficou meio doidão, em estados de depressão perda completa da realidade ( muitas vezes não sabe o que esta acontecendo) e desmotivação completa pela vida, cuidado e pra quem quer experimentar aconselho antes, dar uma olhada em experiências os efeitos em como identificar a planta certa para depois de tudo isto ver se realmente vale a pena, Valeu!
E mais uma vez me desculpem pelo tamanho do texto mais é que quis passar um pouco para aqueles que nunca tomaram ter uma nação antes de sair por ai achando que ferver flores é a coisa mais linda e louca que existe falou.</font>
</fieldset>
<b>Enteógeno:</b> Trombeta
<b>Quantidade:</b> 700ml
<b>Peso do usuário:</b> 70kg
<b>Duração da experiência:</b> 14Hr
<fieldset class="fieldset"><legend><font size="3"><b>Viagem</b></font></legend><font size="2">Gostaria de me desculpar pelo tamanho do texto, é que realmente acho que muita gente, que tem curiosidade para saber mais sobre os efeitos da trombeta, seria interessante dar uma olhada.
Estou me sentindo confuso, já deveria ter me acostumado, mais estou cada vez mais fraco, quase que desistindo, um dia destes acho que vou acabar enlouquecendo, tenho vários caminhos porém não consigo escolhê-los, não me desespero pois sei que é passageiro, na verdade somos apenas passageiros desta vida que nos faz oscilar como o mar, as vezes mais calmo as vezes mais agitado, por isso nunca me interessei em surfar, acho que já basta as grandes vacas que tomamos na vida já é bem cansativo, estes dias um amigo me falou que todas as pessoas estão cheias de problemas ao contrario de mim elas apenas não demonstram, minha cabeça agora esta como que dentro de um tornado, tenho vontade apenas de ir para uma cabana no meio do nada e ficar quietinho até tudo passar, já não consigo mais confiar em ninguém, pra falar a verdade estou em uma semana como posso dizer, “semana paranóia”, também acho que devo ter exagerado estes últimos dias e vai levar algum tempo ate toda toxina sair do meu corpo, enquanto isto, tenho que aguardar paciente, sem querer acabei tendo talvez uma das maiores viagens delirantes comparado com minhas ultimas aventuras, ainda bem que já não me assusto mais, e sim por pior que seja a situação, acabo sempre calmo e maravilhado com o outro “lado”.
Tudo começa em um sábado qualquer, onde havia marcado uma viagem para Lapa, já fui duas vezes para esta cidade encantadora, e confesso que não sei qual foi a vez que mais enlouqueci, um lugar muito calmo com uma cultura bem de cidadezinha, pacata com muitas fazendas, morros, um lugar com visual perfeito para uma viagem de cogumelos, precisava pensar um pouco e acabei entrando em um acordo com minha namorada para ir sozinho, parecia que ate já pressentia que ia ser mais uma daquelas viagens, por isso resolvi chamar alguém que agüentaria o baque da viagem, escolhi um amigo que nos entendemos como irmãos conheço-o a muito tempo e começamos todas nossas loucuradas juntos, quando um fica muito ruim o outro cuida e visse e versa, sempre foi assim e todas as nossas viagens sempre foram melhor que o esperado, bom minha namorada acabou indo para Paranaguá em uma festa de aniversario com meus pais, na verdade era mais uma social de família, que posso dizer que não agüento mais este tipo de coisa. Bom assim que eles saíram fumamos um doce, tomamos um pouco de vinho, fumamos outro doce, e assim se seguiu a tarde, quando estava quase escurecendo resolvi começar a fazer a minha “poção dos pesadelos” a planta que utilizei para tal poção foi as flores de trombeta , como já estava em alfa acabei adoçando demais, mais isto não seria motivo de jogar tudo fora é lógico, depois que esfriou coloquei em uma garrafa de refrigerante de dois litros e não sei porque deve ter enchido apenas quatro dedos da garrafa, como sempre já comecei a reclamar, putz, deu muito pouco acho que não vai dar aquele toque, nosso carona chegou e eu estava completamente perdido a esta altura, todo atrapalhado, e com muito sono (já havia dividido um copo cheio com alguns camaradas que estavam na frente de minha casa). Chegamos no ponto de encontro e já tinha uma galera esperando, o pessoal da banda já estava todo la, pegamos a estrada e durante toda viagem dava aquelas fisgadas com a cabeça como se estivesse pesando uma tonelada encima do meu pescoço, cheguei a pensar que seria mais uma noite frustrada com a cara fechada dando bocejos a noite inteira, sem conseguir tomar nem mesmo um porre, nem imaginava que seria uma noite cheia de surpresas.
Chegamos no bar onde seria o desfecho de mais uma noite Bluseira, com uma banda que posso falar sou completamente fã, já os vejo tocar a muitos anos e mesmo não tendo musica própria consegue deixar qualquer um de boca aberta, como chegamos sedo, todos começaram a ajudar na preparação do bar, colocando banners nas portas e arrumando o seu interior, eu me sentei com meu camarada na varanda e começamos a degustar aquele delicioso chá melado que havia feito, não tomamos muito creio que foi um copo e meio pra cada, entramos e um estado de transe impressionante o sono começou a tomar conta de mim por completo, peguei uma lata de cerveja pra ver se amenizava aquele incomodo da garganta e fui me sentar, a esta altura já não falava mais nada e quando tentavam conversar comigo simplesmente virava e saia para um outro lado do bar como que estivesse sentindo o veneno começando a me dominar, peguei meu camarada e saímos fumar mais um, e aproveitar para dar uma olhada no local, fumamos em silencio sem nenhuma palavra sequer, e retornamos para o bar, meu camarada teve a brilhante idéia de começarmos armar as barracas, tiramos tudo do carro colocamos na frente do bar e saiu cada um para seu lado, uma vez me disseram que alguém só é louco quando sua loucura se torna real, pois bem, o perigo do veneno das plantas é que a realidade se mescla com um profundo sonho lúcido, você nunca sabe o que realmente esta acontecendo ou se tudo não passa de um simples sonho, como de costume não me lembro das primeiras 2 horas de estado paranóico, mais o que vou relatar segue – se a partir das lembranças que se revelaram nos dias subseqüentes.
Nunca assisti Cristiane F, mais como minha namorada me fala e muito, tentem ter uma idéia do filme, onde as imagens foram gravadas em um contexto muito escuro.
Bom, lembro de ver varias luzes amarelas na entrada da mata justamente em uma trilha, varias luzes no tamanho de uma moeda de um real, ficavam brilhando, brilhando, como que se me chamassem para dentro da trilha, comecei a segui-las, e quando percebi entrei em uma clareira onde havia muitas pessoas e algumas barracas armadas, nesta clareira tinham varias outras trilhas, e todas elas tinham pessoas andando nelas, não conseguia ver o rosto de ninguém, apenas via o contorno das sombras, me lembro das pessoas passarem por mim, e me desviava o tempo todo pedindo licença, e me desculpando, todos andavam de maneira estranha como que um estado zumbi, lentos com os braços e ombros caídos para baixo, em um momento cheguei a tropeçar e cai de joelhos no chão, foi ai que senti que tinha alguma coisa errada, os meus joelhos ficaram todos encharcados, pensei como pode ter um acampamento no meio da água, mais não me importei, tive a brilhante idéia que estaria ali, pois seria o lugar onde resolvemos acampar, e por estar delirando havia me perdido da minha barraca e do meu camarada, bom com essa brilhante idéia se tornou um objetivo procurar minha barraca, cheguei a pensar em me comunicar com alguém, mais falaria o que, “alguém viu minha barraca?” Ou alguém viu um cara falando sozinho por ai (meu camarada que nesta altura, imaginava que poderia estar pior do que eu), o problema é que sempre tinha dois caminhos a seguir, as vezes tinha a impressão de estar andando em círculos e acabava passando pelo mesmo local, uma hora não sei como explicar, cai de lado na mata e devo ter desmaiado por um instante, devo ter sonhado por algum tempo pois do nada já não estava no mato, a loucura me levou para outro lugar, me vi pegando um ônibus na estrada destes brancos, tipo metropolitanos, lembro que o cobrador me olhava meio estranho, serio, meu corpo estava muito embriagado, tive que segurar nos ferros do ônibus para não cair, dentro tinham varias pessoas e todas me olhavam, e a cada freada do ônibus, caia encima das pessoas que me olhavam com cara feia, andei um tempo neste ônibus ate que um certo ponto o ônibus bruscamente freou, me atirando para frente fazendo com que caísse de joelhos no chão, do nada quando vi estava novamente no mato deitado de lado na trilha com uma dor imensa nos joelhos, percebi que tinha caiado encima de um tronco de uma pedra, não me lembro direito, só sei que acabei esfolando meus dois joelhos e rasgando minhas calças, confesso que demorou muito ate pararem de doer, enquanto isto, fiquei deitado no chão e as pessoas ficaram ali paradas me olhando esperando que sai-se do caminho para poderem passar, e falei bravo, será que ninguém pode me ajudar? e alguém me estendeu a mão !? me segurando firme e me levantou, agradeci e sai novamente sem direção. Mais adiante entrei em uma trilha bem longa e no final dela vi novamente aquelas luzes que me levaram a este labirinto dentro de minha mente, andei ate chegar onde os pontos brilhavam e eles novamente sumiram, a mata já não parecia tão assustadora e o negro já começara a tomar um azul marinho, dei um suspiro de alivio pois o sol já estava por vir, o lugar não conseguia me assustar, mais também não me deixava muito tranqüilo, o único som que conseguia ouvir, era o estridente cantar dos grilos e outros insetos, que habitavam aquele lugar tão mórbido, andando mais a frente vi um caminho que subia um barranco, pensei que já estava no final desta aventura e que finalmente já era hora de “retornar”, mais acabou por se tornar algo um tanto difícil, haviam pessoas paradas como numa fila indiana, obstruindo o caminho, fiquei ali parado pensando em uma maneira de passar por elas, mais algo em mim não suportava a idéia de ter que encostar nestas pessoas, fiquei um tempo parado, quando algo que nunca vou esquecer aconteceu, um cara se levantou atrás de mim saindo de dentro do mato e ficou parado quase que encostado em mim, não fiquei com medo, mais sim paralisado com a situação, olhei para seu rosto e não sei se, por estar em um estado de confusão, posso dizer que não me assustei, mais também não fiquei muito tranqüilo com o que vi, esse cara que acabara de se levantar atrás de mim, como posso descrever, tinha o cabelo bem comprido e todo emaranhado, com o rosto bem magro como que de um viciado, com os ossos do rosto bem salientes, e o que mais me chamou a atenção foram seus olhos, os olhos bem brancos e brilhantes com as pupilas completamente dilatadas, com a aparência destes zumbis que vemos em filmes, sem expressão no rosto, ficou ali me olhando muito próximo quase que me encostando, acho que se tivesse em um estado mais profundo de intoxicação, creio que poderia sentir sua respiração, naquele instante, fiquei ate surpreendido comigo mesmo, pela primeira vez não conseguia pensar em absolutamente em nada, fiquei ali no vácuo, enquanto observava este sujeito, senti que alguém se levantou novamente do meu lado esquerdo, o impressionante é que como pode a cabeça da gente fazer este tipo de situação, pois mesmo sendo apenas imaginação conseguia sentir a presença destas pessoas, me virei e quando olhei desta vez era uma mulher com cabelo também todo embaraçado, com a pele bem branca, o rosto magro e os olhos de zumbi, me senti como que cercado e comecei nesta hora a ficar com calas frios. Sem pensar, em um estalo pulei saindo da trilha em direção ao matagal indo para o barranco, com a mata muito fechada e alta, tive uma certa dificuldade de sair desta situação e começou a ficar cada vez pior porque a cada passo que dava sentia que meus pés afundavam cada vez mais, tive um pressentimento horrível de que acabaria caindo dentro de algum buraco cheio de água, parei e tive a idéia de começar a empurrar o mato para frente fazendo um tipo de ponte para poder passar por cima daquela água escura, tinha que passar rápido pois o mato ia abaixando lentamente por isso não podia ficar parado no mesmo lugar por muito tempo, devo ter andado uns 50 metros quando parei por um instante para puxar mais um punhado de mato, quando vi a coisa que mais me assustou, digo que me assustei pois talvez alguma força que me protege me deu alguns instantes de raciocínio para analisar que aquela situação poderia ser de fato real. Quando comecei a agarrar e empurrar para frente o mato, vi e muito perto, coisa de uns dois palmos da minha cabeça, uma cobra toda amarela, dava pra ver a sua cabeça e mais ou menos um palmo de seu corpo, atenta, com olhar fixo para mim, colocava a língua pra fora a balançando para cima e para baixo e a recolhia, ficava ali imóvel esperando um simples movimento hostil que tivesse para me dar o bote, eu não dava uma única piscada para não dar em merda, e pra ajudar, o meu peso, estava começando a abaixar lentamente o mato, e fui descendo em câmara lenta, ficando com o corpo cada vez mais inclinado, todo torto, me segurando no mato pra não cair, e ela só me olhava, conforme meu corpo ia descendo sua cabeça ia acompanhando meu corpo, como que mirasse um olhar dentro do pequeno universo escuro, sem vida, negro e solitário, que minhas imensas pupilas dilatadas representavam para ela naquele instante, como se me delatassem, dizendo o quanto estava imerso naquele profundo sonho delirante, meus pés novamente tocaram o chão mergulhando eles novamente naquele pântano ardiloso, olhei para baixo e vi um pedaço de madeira podre, aquilo seriam minhas únicas opções, enfrentá-la ou esperar que me ataca-se, quando ergui minha cabeça pronto pra acertá-la ouvi um barulho no mato e não há vi mais, a partir daí, vi que deveria a todo custo sair daquele lugar, fui andando com todo o resto de força que tinha para me agarrar no barranco, com muito sacrifício fui me agarrando no mato e consegui me jogar na grama, quando consegui, fiquei ali deitado, de barriga pra baixo, com metade do meu corpo na grama e a outra metade dentro do barranco. Fiquei ali durante muito tempo, como que aliviado, sentia um grande alivio de tudo ter acabado e ao mesmo tempo muito feliz por ter tido esta experiência. Agora só me restava achar o bar, e não demorou muito pra identificá-lo, pois dava para vê-lo de longe, é um bar inteiro vermelho sangue, me levantei e segui em sua direção, quando cheguei estava fechado lógico, mais olhei pela janela e via muita gente conhecida, como se estivessem limpando o bar, bati na janela com um sorriso no rosto pois já me sentia em casa, só queria tomar um copo de café, fumar um cigarro e descansar um pouco, mas minhas batidas foram em vão, ninguém me olhava, chamei, gritei dei a volta e fui ate a porta, dei algumas batidas e apareceu o garçom que haviam me apresentado no outro dia, fiquei ali, esperando que abrisse a porta para poder entrar, e ele ali imóvel, me olhando, mexi no trinco da porta e ele nada, ate que se virou e sumiu pra dentro do bar, pensei não é possível que ainda esta viagem não acabou, dei um suspiro olhei para o começo da escada e vi varias bitucas de cigarro, apanhei algumas que estavam pela metade e me sentei na frente do bar, agora só faltava acendê-los, mais e fogo, procurei em todos os bolsos e nada, não conseguia acreditar, era só que me faltava, com fome, sono, molhado e sem fogo, bastaria uma única tragada para sentir a nicotina correr pelas minhas veias e me deixar um pouco tranqüilo, mais nada, nem mesmo um único palito, quando estava quase que convencido que passaria toda a manha sozinho ate alguém chegar, escuto um acelerar de carro e posso dizer que não acreditei no que estaria por acontecer, simplesmente com um sorriso louco e conformisado, apenas me levantei, erguendo minhas mãos, me sentindo um tanto intimidado por pistolas de marginais uniformizados, acreditem vocês, que depois de tudo ainda fui abordado por uma viatura a plena 7:00 horas da manhã, e indo de encontro com a parede, o que me deixou mais indiguinado foi que, ao colocar minhas mãos na parede, senti que segurava algo, e acreditem, era o infeliz do isqueiro, levei algumas bicudas mais ate ai nada me incomodava, e sim o fato de ter umas 15g de fumo escondido dentro da cueca, Vamos, vamos logo, entre na viatura – disse o PM com as algemas já na sua mão, por mais louco que estive-se tive uma resposta quase que instantânea de dizer – Veja bem, estou indo só para não criar caso, pois vocês não encontraram nenhum tipo de tóxico e nem me pegaram em flagrante fazendo nada de errado, imediatamente ele foi guardando as algemas e me dizendo com um ar autoritário, que ninguém estava me prendendo, mais sim me levando para uma “averiguação” (filho da ##$¨%¨&¨&%¨#@!@), bom, não me algemaram mais em compensação tive que ir na gaiola atrás da viatura, quando a viatura começou a andar entrei na paranóia que acabariam me revistando melhor e achando o Beck, rapidamente peguei a bucha e por pouco não faço a cagada de jogar no banco detrás da viatura por um espaço entre a grade que dividia o porta mala, por sorte não o fiz, e graças a deus, não me revistarão dentro da delegacia.
Quando cheguei, já na entrada havia um cara bem barrigudo que parecia estar me esperando, e já foi dizendo, é ele? Não entendi o porque, apenas me disseram que haviam ligado para delegacia, dando as minhas descrições dizendo que tinha na madrugada roubado um veiculo, hã...se soubessem que não sei a diferença do acelerador para o freio, começaram então a me perguntar varias coisas, como nome dos pais, o que fazia, porque estava ali sem documentos, e depois de ter respondido tudo acabei por dar meu RG, que por sorte sei de cabeça alegando que poderiam comprovar que não estava com pendências com a lei – Tudo bem disse o cara barrigudo, mais você ira aguardar dentro da cela, na hora não me importei tanto, acreditando que tudo acabaria por esclarecido, mais quando tomamos o corredor em direção da cela, as alucinações voltaram, via pessoas apressadas passarem por nós e sumirem na frente do gordo, quando já estávamos no final do corredor, vi a cela que imaginava que iria ficar, tinham vários presos, cada um deles pior que o outro, com cara de marginais e tudo mais, quando perceberão minha presença já foram logo se levantando e indo em direção da grade como que pensassem –Hum, carne fresca! Novamente sorri e abaixei a cabeça me lamentando, pensando como ficaria dentro de uma cela, com marginais, e eu completamente surtado, foi quando paramos e o delegado abriu uma porta de aço ao lado da cela, me empurrando para dentro, quando entrei me senti muito aliviado e seguro, estava no local onde os presos tomavam sol, e apenas havia um senhor sentado no canto fumando um cigarro, mesmo estando dentro de uma situação na qual não fazia a menor idéia de como sair, me sentia seguro e só pensava em me acalmar, foi quando resolvi pedir um cigarro para o senhor – O senhor teria um cigarro pra me arranjar? E nada simplesmente continuou ali imóvel fumando, achei melhor não insistir, mais fiquei ali com água na boca de ver aquele velho inútil dando profundas tragadas em seu cigarro, como que em transe, ate que uma linda mulher acabou por me roubar a atenção, parada na porta me olhando, e perguntei – você veio me trazer o cigarro? E quando tornei a olhar para o velho já não estava mais la, e quando tornei a olhar para mulher também não tinha ninguém na porta, consegui colocar de uma vez por todas que realmente estava delirando, devo ter cobrado a lucidez por uma hora mais ou menos sem ver ninguém e sem escutar nada, pensei que finalmente estava pronto para chamar o PM e resolver toda aquela situação, foi quando me dirigi para uma janela com grades que fazia divisão com uma sala cheia de computadores (acho que é onde ficam observando os presos) vejo minha mãe, me olhando com a cara, “você não tem jeito mesmo”, não parecia brava por isso não me lamentei e a única coisa que falei foi – pelo amor de Deus, eu só preciso de um cigarro e um copo de café, e la se foi pelo corredor atrás do meu cigarro, fiquei ali um tempo com a cabeça encostada na grade, e vi creio eu, o filho de um dos PMs, sentado em uma cadeira como que curioso, ficava me observando com um ar de mistério, me senti como um animal no zoológico, só faltava ele me jogar pipoca, fiquei olhando pra ele e o coitado tentava virar sua cabeça como que disfarçando mais seu olhar não conseguia se desviar do meu, ficou com uma cara de assustado, senti o medo que sentiu quando o encarei, mal sabia ele que aquele maltrapilho sujo e todo rasgado que falou durante a manha inteira sozinho com cara de louco, na verdade era a pessoa mais decente daquele lugar, que não tem coragem de matar uma formiga e que chega a ser meio ridículo por gostar tanto de flores, em um pulo saiu dali como que extremamente assustado, pois deveria incomodar e muito o animal que observara a manhã inteira, agora sabia de sua existência e também o observava. Deve ter saído com uma cara tão estranha que imediatamente um PM veio com cara feia para ver o que deveria estar aprontando, como sou um completo idiota ao invés de ter me concentrado e aproveitado a situação para dizer algo coerente já fui logo perguntando – cadê minha mãe com meu cigarro? – Cara o melhor que você faz é ir dormir, disse ele. – Que dormir o que, tenho é que sair logo daqui, respondi. E la se foi ele como que se não estivesse nem ai, por um segundo comecei a imaginar a possibilidade de me esquecerem ali durante todo o dia, e acabar chegando o anoitecer me jogando junto com os outros presos.
Fiquei ali agachado, naquele chão imundo já sentia que estava começando a perder a graça, tudo aquilo
hora via pessoas na sela, hora ouvia a voz da minha mãe, mais não caia mais neste jogo e só ficava ali observando, pois sabia que a única maneira de sair de tudo aquilo era tendo calma e não me deixando levar por essas armadilhas criadas por minha mente, já tinha percebido que me observavam, e provavelmente não seria trocando idéias com as paredes que iriam me deixar sair dali, durante todo tempo tive visões tranqüilas as vezes visões terríveis, como o de uma menina que devia ter uns quatro anos de idade que se encontrava deitada em cima do lixo no fundo da cela completamente sem vida, com os olhos abertos, seu rosto tocava aquela água suja do chão e seu olhar parecia estar fixado em uma bituca de cigarro um pouco a sua frente, sua cabeça era desproporcional ao corpo como aquelas crianças que vemos em documentários sobre a Etiópia, muito pálida com os olhos fundos e muito roxo, muito magra, aquilo acabou com meu dia, senti um imenso aperto no coração, um frio na barriga, aquilo me deixou tão chocado que quase chorei, por pouco não me levanto e vou pegá-la no colo, para pelo menos tirá-la do chão, confesso que aquilo que acabara de ver deve ter me chocado tanto que foi minha ultima alucinação me levantei e o cara barrigudo veio ate a janela, e me disse:
- Você tem certeza de que nunca teve passagem pela policia?
- Sim, disso eu tenho certeza.
E saiu indo de encontro com a imensa porta de aço que me separava da liberdade.
- Vem. Falando com uma cara de que daria de tudo para me esfolar vivo, saí, e quando passei pela porta, bateu ela com toda força que quase grudei no teto.
- Me acompanhe........va para o outro lado do balcão.........tem certeza que você nunca pegou um 16 ( artigo no qual se é enquadrado por estar portando entorpecente)
- Hããããã...... a algum tempo atraz fui detido no litoral com três Becks, mais me falaram que não seria fichado, mais sim deveria só pagar um pequeno “valor simbólico” como penalidade. Como se ele acreditasse, como se não recebeu o processo pelo computador dizendo que havia sido preso com apenas 25g de verde, e por pouco não caio com um 12 ( trafico ).
Com uma cara completamente de animal, começou a jogar tudo que tinham tirado dos meus bolsos, me surpreendi quando vi que tinha 30 reais, algumas moedas, leda para enrolar uns baseados, e minha consumação, que acabei por dar mais uma bola fora – como dez reais se só pedi duas latas de cerveja, acreditem não falei por mal, apenas saiu, deve ter imaginado que eu estava me divertindo com tudo aquilo, para antes mesmo de ter sido libertado ainda fazer gracinhas, acho que deve ter sido por isso que me pegou dez reais alegando que era pra pagar o combustível gasto para irem me buscar, e simplesmente com uma expressão de toda raiva do mundo:
- escute bem o que vou te falar, suma da minha frente, e pegue o primeiro ônibus do buraco que você saiu.
- mais preciso achar o bar, minhas coisas estão todas la
- se te ver andando pela rua mais uma vez, te juro por Deus que faço com que você nunca mais saia de dentro de uma cela.
Eu peguei minhas coisas me virei e ergui os ombros como se não estivesse nem ai, desta vez acho que o tirei do serio, pois escutei os passos apressados atrás de mim como se viesse me dar uma coronhada, apenas aprecei meus passos em direção aquela passagem que me levaria ao lugar mais incrível e maravilho que naquele momento representava para mim, a rua, o sol, as flores, ao cheiro de mato, as crianças brincado nas ruas como se o mundo fosse o lugar mais incrível e mágico que se pudesse imaginar, onde maldade não faria parte dos pensamentos delas, todas despreocupadas brincando na rua com suas bicicletas e bonecas em pleno domingo de manha com um sol, que posso dizer, que alguns poucos segundos, faria muitos daqueles que deixava para traz, naquele lugar sombrio, sorrirem simplesmente por poderem ver tudo o que estava vendo, livres sem dever nada a ninguém, por um instante fiquei parado na calçada pensando nessas pessoas que ficam presas por anos, sem me preocupar com o motivo de estarem presas, pensei qual seria a reação de passar pela porta da frente depois de tanto tempo trancados em um lugar sujo e com mau cheiro, apenas uma manha que haviam me roubado a liberdade, já sentia uma imensa vontade de rolar na grama, mais me controlei, imaginem a sena todo faceiro deitado na grama e os PMs me agarrando de novo, falando acho que você precisa passar mais tempo em observação.
Bom já estava solto mais o que fazer? Não conhecia ninguém, nem mesmo sabia onde estava, não sabia como achar o bar, a única coisa que me veio na cabeça foi encontrar a rodoviária e partir daquele lugar. Andei por umas quatro quadras, e acabei por sair em uma praça, não ligava mais se as pessoas ficassem me olhando meu objetivo era apenas pegar meu ônibus. Parei em um táxi e perguntei como poderia chegar na rodoviária, e finalmente depois de tantas coisas ruins tive a sorte de encontrar um senhor muito gentil que já foi logo falando.
- Entra ai que te dou uma carona. Não me olhou estranho e nem me questionou se tinha dinheiro, apenas entrei e hoje penso que deveria ter sido mais cordial com ele, apenas entrei e durante todo o caminho não lhe direcionei nem um único comentário, rodamos durante um tempo, ate que finalmente chegamos na rodoviária, quando percebi o marcador de preço estava desligado, e ele me perguntou se tinha apenas 5 reais para tomar um café, dei um sorriso de agradecido, e lhe dei uns 7 reais mais ou menos, não sei bem ao certo me lembro de ter dado uma nota de 5 e umas moedas.
Pronto cheguei, fui direto na balconista e perguntei que horário sairia o próximo ônibus. – agora só as 23:00 – me respondeu – só as 23:00! Que tipo de lugar é este e bla, bla, bla.....sai resmungando louco da vida, como poderia ficar tanto tempo naquele lugar, resolvi comprar um cartão e tentar ligar para alguém que tivesse o telefone de alguém para que um alguém fosse me buscar, resolvi então ligar para minha namorada em Curitiba pois com certeza teria o telefone da minha irmã que também estava na Lapa. Foi quando um pensamento horrível me tomou conta, como se minha cabeça tivesse levantado o questionamento do porque teria saído do bar e ido para o mato, e acreditem, tive uma lembrança muito real, como uma memória muito fresca de algo que não me lembrara, neste pensamento via minha namorada e alguns amigos de onde moro no bar, estarem todos reunidos, ela estava sentada na mesa e todos estavam de pé em volta bebendo como se despreocupados com a vida, e eu sentado encostado na parede, como se a observa – se, foi então que um deles se sentou bem do lado dela, e os dois ficaram me olhando com um ar de despreocupados, mais aquela situação me incomodava e muito quando dei por mim, olhei por debaixo da mesa e a via ela acariciando sua virilha, confesso que senti uma dor como se alguém naquele instante estivesse me dado uma punhalada pelas costas, uma dor de cabeça imediatamente tomou conta de mim, que quase veio acompanhada de uma vontade de chorar. Fiquei ali nem sei quanto tempo sentado sozinho no banco da rodoviária, com o cartão de telefone na mão simplesmente sem pensar me nada, estava com uma carteira de cigarros do meu lado já aberta mais não tinha vontade de fumar um único cigarro mesmo este tenha sido um dos maiores problemas de todo o dia.
Sinceramente não sei como o amor pode ser as vezes tão doloroso, acho que nunca tinha sentido uma dor tão forte quanto desta vez, pois bem resolvi dar uma volta para ver se achava algo para me distrair, quando finalmente minha consciência se tornou novamente lúcida, aponto de perceber que minha namorada estava em Paranaguá com meus pais, e nenhum desses conhecidos haviam viajado com a gente, dei um suspiro de alivio e apenas agradeci por aquilo ter sido apenas mais uma “paranóia”, que confesso que é uma palavra muito forte pra mim, me amarro nela. Liguei para ela, e sua mãe atendeu, dizendo que ela deveria ter saído de casa bem sedo pois não tinha percebido sua presença por toda manhã, - Hum, que horas deve ser, uma hora? Perguntou ela. – Capaz, deve ser umas quatro da tarde, respondi – eu aviso que você ligou. Putz, onde esta danada deve estar, e agora para quem vou ligar, liguei varias vezes para minha casa e nada minha mãe também não atendia pensei que não deveriam ter voltado de sua viagem, haviam me dito que retornariam ainda de madrugada, ate que depois da vigésima vez de tentativa ela atendeu, perguntei o telefone da minha irmã alegando que tinha saído para dar uma volta e teria me perdido, e como de costume já começou a gritar dizendo que tinha ido para cuidar dela e não ficar dando voltinhas, acabou por me dar o telefone de uma amiga que estava junto, que tratei de ligar imediatamente.
- Alo quem fala?
- guria alguém me tire daqui pelo amor de Deus
- onde você ta maluco?
- Acho que é a rodoviária
- Não va sair daí, já estamos chegando
Não chegou a dar dez minutos, e la vejo eles se cagando de dar risada da minha aparência, parecendo um mendigo perdido na rodoviária, saímos dali direto para casa da irmã de meu amigo e ela já estava com o almoço quase pronto, comi muito mais muito mesmo que acho que minha irmã ficou ate com vergonha.
Meu amigo se levantou e já foi logo puxando a gente dizendo que queria nos mostrar algo incrível, andamos, andamos e andamos, como não queria estragar o passeio de ninguém mesmo com as pernas doendo fiquei calado sem reclamar, foi então que chegamos no começo de um morro ( Morro dos Monges), começamos a subir e subir e uma hora parei pois tinha que admirar aquele visual, dava para ver a Lapa inteira, as florestas de pinheiros de muito longe e ate mesmo o oceano, lugar incrível que ate me esqueci do cansaço, chegamos a um ponto em que já estávamos em um lugar bem plano, começamos a passar por entre umas arvores coníferas; Pinus para ser bem exato, e mesmo depois de tudo lembrei que era perto destas imensas arvores que nasce os incríveis Amanitas, dito e feito depois de ter tido esta lembrança deixei-os indo na frente e fiquei parado só observando em minha volta, eles pararam mais adiante e ficavam, - Vamos logo, o que é que você ta pirando agora, e interrompi suas lamentações com um grito, - Achei! A mais ou menos uns cinqüenta metros dali, vi por cima de uma das raízes um imenso chapéu vermelho, reluzindo seu esplendor, como se estivesse ali só pra mim, sai em disparada e quando cheguei fiquei de poça aberta, via dezenas deles espalhados por todos os lados, grandes pequenos, uns ainda na formação de seu chapéu, outros com eles virados para cima como que orgulhosos por conterem sua lendária toxina, apanhamos alguns, bem na verdade enchi uma sacolona, deixando os menores ainda por abrirem seus chapeis da dar continuidade ao seu ciclo.
Andamos mais um monte, entrando em grutas e lugares incríveis ate que retornamos para a estrada, iríamos pegar uma carona com o dono do bar, iríamos encontra-lo no bar mesmo e já era umas 18:00, estava completamente esgotado e dei graças a Deus quando entramos no carro, a única coisa que passava pela minha cabeça era o fato de ter tudo acabado bem e o fato de chegar em casa, tomar um banho, colocar roupas limpas e “inteiras” era algo simplesmente mais maravilhoso do mundo, sem dizer o fato da minha sacola cheia de Amanitas. Ainda posso dizer que tive quase chegando em Curitiba mais uma alucinação, vi duas meninas andando de bicicleta bem mais a frente no acostamento da BR e de repente se atravessaram na frente do carro foi o suficiente para me agarrar no banco do motorista e assustando todo mundo.
Bom cheguei em casa minha namorada já estava dormindo na minha casa e ficou simplesmente maravilhada com o presente que havia lhe trazido da Lapa (os Amanitas) que na semana que se seguiu providenciei para dar uma boa utilidade neles, mais essa é outra historia, gostaria de deixar bem claro que tudo que comentei não foi nem um terço do que realmente aconteceu e esta foi mais uma aventura de muitas outras que já tive, e posso dizer para aqueles que não conhecem estas flores, que a respeitem muito pois não é como um baseado nem uma carreira e nem nada a essas outras drogas que encontramos por ai, mesmo sendo fascinado por esta planta trombeteira, e sempre quando posso faço um chá, mais velhos não aconselho ninguém a tomar, pois além de ser uma viagem completamente perigosa pela falta de noção sobre a realidade, a toxina fica durante um tempo no corpo, que as vezes acabam por se tornar paranóia e outras apenas um desligamento do cotidiano podendo prejudir em alguns fatores como trabalho, família e relacionamento, tem ate um amigo nosso que antes tomava com a gente e ficou meio doidão, em estados de depressão perda completa da realidade ( muitas vezes não sabe o que esta acontecendo) e desmotivação completa pela vida, cuidado e pra quem quer experimentar aconselho antes, dar uma olhada em experiências os efeitos em como identificar a planta certa para depois de tudo isto ver se realmente vale a pena, Valeu!
E mais uma vez me desculpem pelo tamanho do texto mais é que quis passar um pouco para aqueles que nunca tomaram ter uma nação antes de sair por ai achando que ferver flores é a coisa mais linda e louca que existe falou.</font>
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